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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

MARINHA

Oh loucos marinheiros com fé!
Oh homens da força e da coragem!
Gigantes maiores que o mar
Para quem o Adamastor não passou de uma miragem

E das noites e dos dias
Por viagens de ir e não voltar
Se ergueram padrões e cidades
Onde ninguém se conseguia lembrar

sábado, 1 de maio de 2010

PARA SEMPRE - POEMA DE CARLOS DRUMMONT DE ANDRADE

~

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O PADRÃO - POEMA DE FERNANDO PESSOA

O esforço é grande e o homem é pequeno
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei

A alma é divina e a obra é imperfeita
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, a obra ousada, é a minha parte feita
O por fazer é só com Deus

E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.

E a Cruz ao alto diz o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar